Urbanismo, Saúde Pública e Justiça Espacial: professora da UNIDAVI conclui etapa de doutorado nos Estados Unidos
Com o objetivo de compreender como as características das cidades e dos territórios influenciam as condições de vida e saúde da população, a professora Catharina Cavasin Salvador realizou uma etapa internacional de seu doutorado nos Estados Unidos. Arquiteta e urbanista, ela é docente do curso de Arquitetura e Urbanismo da UNIDAVI e desenvolve pesquisas relacionadas à saúde urbana e às desigualdades socioespaciais.
A experiência ocorreu na Washington University in St. Louis (WashU) e foi viabilizada pelo Programa de Doutorado-Sanduíche no Exterior (PDSE), da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). Ao longo de sete meses, Catharina participou de atividades acadêmicas e de pesquisa na área de Saúde Pública.
Nesse período, a professora estabeleceu conexões entre sua formação em Arquitetura e Urbanismo e estudos sobre saúde, ambiente construído, resiliência climática e equidade espacial. Assim, a experiência possibilitou ampliar a compreensão sobre as relações entre planejamento urbano e qualidade de vida.
Na WashU, a pesquisadora esteve vinculada à Bursky School of Public Health. Além disso, atuou junto ao Prevention Research Center, na People, Health and Place Unit, sob mentoria do professor Dr. Rodrigo Reis. Dessa forma, teve contato direto com pesquisadores de diferentes áreas e aprofundou metodologias voltadas à análise das relações entre espaço urbano, saúde e equidade.
A pesquisa parte de uma premissa cada vez mais presente nos estudos contemporâneos de saúde urbana: o território influencia as condições de vida e o bem-estar da população. Nesse sentido, infraestrutura urbana, mobilidade, acesso a serviços e características do ambiente construído ajudam a compreender como diferentes grupos vivenciam a cidade. Além disso, as desigualdades socioespaciais interferem nessas experiências e nas oportunidades disponíveis à população.
Imersão acadêmica e produção científica
A experiência internacional também foi marcada por atividades de ensino, pesquisa e formação acadêmica. Durante sua permanência nos Estados Unidos, Catharina participou de disciplinas de doutorado como aluna especial. Além disso, contribuiu com aulas e outras atividades acadêmicas relacionadas à sua área de formação.
Paralelamente, atuou como pesquisadora assistente no projeto “Applying Artificial Intelligence to Assess Spatial Inequities in the Global South”, financiado por uma Global Incubator Seed Grant. A iniciativa reúne pesquisadores interessados no desenvolvimento de novas abordagens para identificar e avaliar desigualdades espaciais em contextos do Sul Global.
Nesse projeto, Catharina contribuiu com análises espaciais, avaliações em microescala e atividades de treinamento de equipes. Com isso, integrou conhecimentos de planejamento urbano, análise geoespacial e avaliação do ambiente construído a abordagens que utilizam ferramentas de inteligência artificial.
A atuação internacional também envolveu orientação e formação de estudantes. A professora participou do programa SPHERE (Solutions through Planetary Health Research), acompanhando pesquisadores de graduação em um estudo sobre a distribuição territorial do Programa Academia da Saúde. A iniciativa do Ministério da Saúde busca promover a saúde e a prática de atividades físicas.
O trabalho envolveu o mapeamento dos polos do programa e o desenvolvimento de procedimentos para avaliar sua distribuição espacial no território brasileiro. Como resultado, a investigação contribuiu para compreender melhor a qualidade dos dados e as condições da infraestrutura nas comunidades. Além disso, o estudo deu origem à submissão de um artigo científico a uma revista acadêmica.
Em paralelo, Catharina trabalhou diretamente com seu orientador anfitrião no aprimoramento conceitual e metodológico de sua tese. A pesquisa investiga as relações entre condições urbanas, habitabilidade e desigualdades socioespaciais em áreas de baixa renda no Brasil.
Dessa maneira, a experiência contribuiu para refinar os procedimentos metodológicos e ampliar a perspectiva teórica da pesquisa. O trabalho também resultou na submissão de outro artigo científico a uma revista acadêmica internacional.
Conhecimento internacional retorna para a comunidade
Mais do que uma etapa de formação no exterior, a experiência proporcionou a Catharina a oportunidade de atuar em um ambiente acadêmico interdisciplinar e internacional. Com isso, a pesquisadora ampliou sua experiência em métodos de análise espacial, pesquisa em saúde urbana e investigação das desigualdades territoriais.
Além disso, o período fortaleceu sua rede de colaboração científica e possibilitou o contato com diferentes formas de produzir, ensinar e comunicar conhecimento. A experiência também promoveu intercâmbio cultural e acadêmico.
Com o retorno ao Brasil, Catharina dá continuidade ao doutorado e às atividades de ensino, pesquisa e extensão na UNIDAVI. Agora, ela traz para a instituição conhecimentos e experiências construídos durante o período internacional.
A expectativa é que esse intercâmbio também contribua para a formação dos estudantes de Arquitetura e Urbanismo. Dessa forma, a sala de aula poderá se aproximar ainda mais de debates e métodos presentes na pesquisa internacional sobre cidades saudáveis, equidade territorial, sustentabilidade e qualidade de vida urbana.
Para a professora, a experiência reforça a importância de aproximar diferentes áreas do conhecimento para compreender os desafios urbanos contemporâneos.
“Pensar a cidade a partir da saúde pública amplia nossa capacidade de compreender as desigualdades e seus efeitos sobre a vida cotidiana. As condições de saúde e bem-estar são influenciadas por fatores estruturais, como o contexto político, a renda, a raça e o gênero, mas também por condições intermediárias, como as circunstâncias materiais e a qualidade do ambiente em que as pessoas vivem. Compreender como o planejamento urbano se insere nesse conjunto de fatores pode contribuir para enfrentar desigualdades territoriais e construir cidades mais justas, saudáveis e com melhores condições de vida para todos”, destaca Catharina.