Como se preparar para o último ano da faculdade?

O último ano da faculdade pode ser um período de muitos desafio mas, também, de muitas oportunidades. Se você está se aproximando das fases finais da graduação e não sabe como lidar com a nova rotina que pode incluir aulas, estágios e o trabalho final de curso, preparamos cinco dicas que vão lhe ajudar a passar por esse momento de forma mais proveitosa e tranquila.

1 – Conheça todas as atividades que terá que cumprir

A primeira dica para evitar ansiedade e preocupação demasiadas no último da faculdade é buscar conhecer quais serão os compromissos e atividades que você terá que cumprir. De acordo com a psicóloga e professora da Unidavi, Jully Fortunato Buendgens, geralmente, os problemas dos acadêmicos estão relacionados ao desconhecimento sobre a nova rotina.

“No último ano da faculdade, as dificuldades deles sempre giram em torno de coisas que eles encontram e que não esperavam.  No curso de Psicologia, por exemplo, nas últimas duas fases os estudantes precisam fazer estágios específicos, produzir o Trabalho de Curso e possuem ainda uma disciplina de Ética. Vejo que o primeiro impacto que deixa eles assustados é perceber que eles têm que fazer tantas atividades e com objetivos diferentes. Aí eles se desesperam”, explica a professora. 

Para evitar essa situação, a acadêmica da sétima fase do curso de Educação Física da Unidavi, Natália Hang, de 21 anos, decidiu iniciar a produção do Trabalho de Curso já na quinta fase.

Natália Hang, acadêmica da sétima fase do curso de Educação Física da Unidavi

“É realmente importante pensar nos compromissos das últimas fases com antecedência, porque é muita atividade e geralmente o mal do universitário é deixar tudo para a última hora. Foi nisso que eu pensei quando comecei a planejar meu TC na quinta fase do curso, por exemplo. E como o meu projeto teria que passar pelo Comitê de Ética, eu decidi já começar bem antes”, lembra ela.

Por isso, é preciso se preparar para o último ano da faculdade. “Porque quando você entende o que está por vir, não é uma surpresa tão grande. Eu acredito que a grande diferença que os acadêmicos sentem é que durante a maior parte da graduação eles têm uma atitude mais passiva no processo de aprendizagem, e no último ano, eles precisam ser proativos. E essa é a grande dificuldade, tomar essa atitude proativa. Então se organizar faz com eles estejam mais preparados para essa mudança de atitude” comenta a professora Jully.

2 – Tenha um cronograma 

A partir do momento que o acadêmico fica por dentro de todas as atividades que terá que desenvolver, é importante estabelecer um cronograma de estudos e tarefas e cumpri-lo. 

É o que fez a acadêmica Natália. “Eu, por exemplo, tenho como objetivo tirar pelo menos uma hora por dia para produzir algo para o meu Trabalho de Curso. E se você começa com antecedência, tem tempo para reler, observar o que está faltando, e complementar.  Se eu tivesse iniciado só agora, provavelmente eu não ia conseguir ler mais vezes e adicionar conteúdo. Porque sempre que eu leio, vejo que é possível melhorar. E se você deixa para fazer na última hora, ao invés de ficar uma hora por dia, teria que ficar o dia todo estudando”, ressalta ela.

De acordo com Natália, essa organização pode ajudar os acadêmicos a tornarem-se, inclusive, mais produtivos.  “Há dias que você não sai de uma página, que você não consegue produzir. Mas em outros dias a escrita flui. Então se você trabalha no TC de forma sistemática e com uma frequência estabelecida, vai conseguir passar por esse processo de forma mais produtiva e saudável. Além disso, eu sempre aproveitei o início de semestre, que geralmente é um período mais tranquilo, para focar no Trabalho de Curso. Dessa forma, caso no final do semestre, por conta das provas e trabalhos finais, eu não conseguisse produzir muito, sabia que não estaria atrasada com o TC”, lembra a acadêmica.

3 – Comece a pensar na carreira profissional

Será importante aproveitar as últimas fases da graduação também para começar a pensar e projetar a carreira profissional. Essa decisão, de acordo com o acadêmico da oitava fase do curso de Engenharia Civil da Unidavi, Lauro Henrique Jasper Becker, de 23 anos, pode ajudar, inclusive, na escolha do tema do Trabalho de Curso. 

Lauro Henrique Jasper Becker, acadêmico da oitava fase do curso de Engenharia Civil da Unidavi

“Se você faz o TC em uma área em que atua, pretende atuar ou que tenha afinidade, então a produção fica mais fácil, prazerosa e não se torna um trabalho maçante, pesado. Além disso, alguns alunos, a partir da apresentação na banca, são contratados ou conseguem vender seus projetos. Por isso, escolha algo com que você se identifique e tenha afinidade e você não vai precisar se desgastar tanto com o Trabalho de Curso”, ressalta o acadêmico Lauro. 

“Acredito que o Trabalho de Curso tenha que ser em uma área que você gosta e tenha interesse porque você vai precisar pesquisar bastante e, assim, vai obter muito conhecimento. Os acadêmicos não devem pensar em ir pelo mais fácil e sim pelo que gostam. E é importante escolher um orientador que tenha afinidade. Planejando com antecedência, inclusive, você tem a vantagem de escolher o orientador, porque se você deixa muito para o final, às vezes o orientador que você queria já está com muitos trabalhos para orientar e não vai conseguir te atender”, indica a acadêmica Natália. 

O estágio obrigatório também pode estar vinculado ao tema escolhido no Trabalho de Curso e à área que o acadêmico pretende atuar. 

“É importante que o acadêmico busque linkar o estágio específico ao TC, senão o currículo fica muito esquizofrênico, com muitas coisas diferentes. Além disso, o estágio específico pode abrir portas, pode ser uma oportunidade profissional, porque, inclusive, tivemos uma acadêmica da Psicologia que fez o estágio e a instituição que a recebeu queria contratá-la, porque gostaram muito do trabalho dela; e ela fazia tanto o estágio quanto o Trabalho de Curso na mesma área. Então se gostar de uma área busque afunilar. Isso é fundamental no último ano”, explica a professora Jully. 

Além disso, se o acadêmico for fazer um estágio remunerado, também pode buscar alinhá-lo à área profissional e ao curso de graduação. 

“Eu sei que é uma escolha difícil e que muita gente pensa no salário. Mas talvez seja uma boa você optar por um salário menor mas trabalhar com algo em você tenha contato com aquilo que realmente quer seguir como profissional. Por exemplo, eu trabalhei com terraplanagem, perfuração e detonação. E quando eu cursei a matéria de geologia, estava escavando um túnel na empresa, então eu estava aqui adquirindo conhecimento técnico e teórico sobre aquele assunto, e no meu dia a dia, no trabalho, eu tinha a prática. Nós sabemos que hoje o mercado está bastante concorrido, e é um diferencial ter experiência profissional, mesmo antes de finalizar a graduação”, relata Lauro.

“É preciso realmente colocar essa questão na balança e ver que vale sempre muito mais para o futuro profissional ficar próximo da área que está cursando”, lembra a professora Jully. 

4 – Crie e mantenha o currículo atualizado

Pensando que logo você estará no mercado de trabalho como profissional formado, é importante criar e manter o currículo atualizado. “Sempre procurei deixar meu currículo organizado. Conforme eu ia fazendo cursos de extensão e adquirindo conhecimento, eu fui  guardando os certificados e fui preparando um currículo. No dia que eu precisei, eu já tinha ele praticamente formatado. É o ideal, manter atualizado. E não só fazer cursos específicos da área, mas também aqueles em que você acaba adquirindo aptidões que podem ser usadas no curso, como oratória e  produção textual, por exemplo. Produza as horas complementares não só para preencher o requisito, mas para fazer algo que vá servir na área profissional depois”, ressalta Lauro.

5 – Comece a se ver como um profissional

Por fim, converse com professores e profissionais que podem lhe ajudar a sanar dúvidas sobre a área que você vai querer atuar e comece a se ver como um profissional.

“Neste semestre eu convidei algumas alunas da nona fase do curso de Psicologia para falar sobre experiência clínica em uma disciplina que eu leciono na sétima fase e eu falei para elas: vocês já vão se apresentar como profissionais, já vão fazer uma propaganda do trabalho de vocês. Daqui uns anos, de repente, esses alunos podem indicar vocês. Então é importante, nesta reta final do curso, não se ver mais no lugar de aluno, mas já começar a ocupar o lugar de profissional”, explica a professora Jully.

“Uma palavra de incentivo que eu posso deixar é: dá para sobreviver ao último ano da faculdade e com certeza vale a pena se organizar e realizar as atividades da melhor maneira que for possível. É um sentimento bom, no final, porque eu comecei tão cedo para não fazer um trabalho ruim, como muitos que eu já vi. Eu queria fazer algo a mais. Então agora que eu tenho ele quase pronto dá aquela sensação boa de que eu consegui fazer mais do que era esperado”, finaliza a acadêmica Natália. 

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